sexta-feira, 26 de setembro de 2008

pesquisa

Não existe consenso quanto à idade ideal para iniciar a aprendizagem de uma língua estrangeira. Krashen (1982) estabelece uma distinção clara entre aprendizagem e aquisição. A aprendizagem refere-se ao estudo formal - receber e acumular informações e transformá-las em conhecimento por meio de esforço intelectual e de capacidade de raciocínio lógico. Em contrapartida, para ele, aquisição é desenvolver habilidades funcionais através de assimilação natural, intuitiva e inconsciente nas situações reais e concretas de ambientes de interação humana. Portanto, no desenvolvimento da proficiência em línguas, o que deve ocorrer é a aquisição. Ele defende a maior importância da aquisição sobre a aprendizagem, referindo-se a adolescentes e adultos. Considerando que a aquisição está mais intimamente ligada aos processos cognitivos do ser humano na infância, deduz-se que a aquisição é ainda mais preponderante no caso do aprendizado de crianças. Portanto, a proficiência lingüística pouco depende do conhecimento armazenado, mas, sim, da habilidade assimilada na prática, construída através de experiências concretas. Novamente, fica com mais clareza explicada a superioridade das crianças no aprendizado de línguas. Não são apenas fatores de ordem biológica que influenciam no aprendizado de uma língua estrangeira. Fatores de ordem psicológica e afetiva podem causar impacto direto na capacidade de aprendizagem. O adulto tende a apresentar maiores problemas causados pela ausência de motivo espontâneo, fator preponderante na criança. A resistência à língua do outro e a falta de conhecimento da cultura estrangeira são fatores que influenciam negativamente no processo de aquisição do novo idioma.
Aquele que, por falta de informação, não se identifica com a outra cultura – e que, às vezes, até a despreza – estará desmotivado para aprender a língua. Já, a criança, por natureza, tem um alto grau de curiosidade pelo desconhecido e forte sintonia com tudo no ambiente que a rodeia. O adulto tem tendência a se preocupar excessivamente com a forma e, com isto, constrói a idéia de certo e errado. Prefere não correr o risco de cometer erros. A falta de autoconfiança, causada por traumas durante a educação recebida em casa ou na escola, se manifesta na radicalização desses conceitos. A pessoa que, além de cultivar uma boa imagem de si própria, goza de autoconfiança é, por natureza, mais experimentadora e descobridora de coisas novas. O adulto não possui a curiosidade e o desprendimento da criança. Ao se preocupar com sua própria imagem e com a possibilidade de cometer deslizes e erros, peca quanto à expectativa de resultados, o que o impede de usufruir, de maneira natural, do ambiente e da língua que o cerca.
Portanto, ao ministrar aulas de língua estrangeira para crianças, deve-se proporcionar um ambiente tal que a aquisição ocorra de maneira natural. É como brincar com um bebê. Ele passa a prestar atenção aos sons quando começa a balbuciar ba, ba, da, da... a partir daí está treinando os fonemas básicos da língua. Assim como o primeiro contato com a LM se dá por meio da mãe, o primeiro contato com a LE, na maioria das vezes, se dá por meio do/a professor/a. Ao que parece ambos têm um poder decisivo para o futuro da língua, que pode resultar numa comunicação apropriada que transmita senso de lógica e causalidade ou deixar tudo no nível obtuso do incompreensível.
Da mesma forma como aprende a primeira língua, a criança tem aptidão para desenvolver outras línguas. Após o aprendizado da escrita e da leitura, a assimilação de um segundo idioma se dá de forma mais facilitada e tranqüila. É claro que quanto mais cedo, melhor. Caso contrário, o aprendiz usará com mais relevo a estrutura da primeira língua, ao invés de raciocinar no segundo idioma e, com isto, irá se utilizar mais longamente da pura e simples tradução, se arrastando por mais tempo até conquistar o desejável estágio da fluência.
Levando em conta os fatores biológicos, pode-se também dizer que, numa criança os dois hemisférios do cérebro (o lado esquerdo ligado ao raciocínio lógico e analítico e o lado direito enquanto responsável pela parte criativa, artística e pelas emoções) estão mais interligados do que no cérebro de um adulto. Por isto, a aprendizagem é mais fácil no período anterior a lateralização do cérebro.
Ao interagir com o meio, a criança aprende a falar, ou seja, a aquisição da fala e a descoberta do mundo são dois processos que ocorrem ao mesmo tempo e, como tal, as estruturas neurais do cérebro que correspondem aos conceitos são adquiridos e associados às formas linguístico-comunicativas. Sendo assim, as crianças desenvolvem-se cognitivamente a partir de experiências concretas e da percepção direta, ao contatar com o meio que a circunda.
Tendo em vista todos estes fatores, pode-se dizer que a idade considerada ideal para o início do ensino de línguas estrangeiras é antes dos oito anos de idade.
Para Strecht-Ribeiro (1988:22), “o contato com uma outra língua não só é compatível com o domínio da língua materna, como ainda a favorece”. De fato, o bilinguismo ajuda as crianças a perceberem melhor a sua língua materna, uma vez que, assim, as crianças têm a oportunidade de comparar uma língua e a outra. Este processo não implica uma memorização de conhecimentos, mas, pelo contrário, implica uma automatização dos mesmos, como em um processo natural de aquisição.
O ensino precoce de línguas estrangeiras tem um papel preponderante para a construção de cidadãos autónomos, críticos e participantes, capazes de atuar com competência, confiança e responsabilidade na sociedade em que vivem.
A aprendizagem de línguas estrangeiras promove um desenvolvimento de uma atitude global, servindo o estudo das língua e cultura estrangeiras como meios de desenvolvimento da competência intercultural do indivíduo. Desta forma, esta aprendizagem precoce permite igualmente expandir os horizontes quando no contato com línguas e culturas diferentes, desenvolvendo uma consciência do Outro, no sentido de uma sensibilização à diversidade linguística e cultural, o que, por sua vez, fomentará uma aprendizagem futura, preparando o terreno para um ensino plurilingue a um nível mais avançado e promovendo confiança no sucesso da aprendizagem de línguas estrangeiras ao longo das vidas das crianças. Em outras palavras, a introdução precoce de uma língua estrangeira num ensino considerado precoce ajuda as crianças a desenvolver a tolerância para com outros povos que lhes são diferentes e permitir a compreensão entre indivíduos.
É imprescindível o entendimento da aquisição da língua estrangeira.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A PROBABILIDADE DE COMO SE DÁ O PROCESSO DE AQUISIÇÃO DE UMA SEGUNDA LÍNGUA

Como se dá o processo de aprendizado de uma segunda língua?
A criança entende antes de falar?
Pesquisas indicam que há um desenvolvimento seqüencial consistente na aquisição de uma segunda língua por crianças. Primeiramente há um período no qual a criança continua a usar sua língua nativa nas situações da segunda língua. A seguir, a maioria das crianças entra num período não-verbal ou de "silêncio". Depois disso, as crianças começam a usar frases "telegráficas" e "frases feitas" na segunda língua. Finalmente, as crianças começam a produzir frases mais completas na segunda língua.Durante o período de "silêncio", elas estão trabalhando ativamente na compreensão e no sentido da segunda língua. Elas observam e ouvem com atenção a professora e as outras crianças que usam a segunda língua. Os professores estabelecem rotinas e planejam atividades de construção e repetição, de forma de que a criança possa progressivamente ir se tornando familiar com a segunda língua. Durante o período "silencioso", as crianças utilizam também linguagem não-verbal, como gestos e mímicas, para se comunicar na segunda língua. Gradualmente, elas começam a "investigar" a segunda língua, repetindo os sons que elas ouvem à sua volta.Da mesma forma como quando aprenderam a primeira língua, as crianças usam a linguagem "telegráfica", ao começar a usar a segunda língua. Esses enunciados tendem a conter uma série de palavras que a criança já aprendeu. Exemplos comuns de linguagem telegráfica incluem identificar os objetos da classe ou nomear e recitar as letras do alfabeto."Frases feitas" surgem depois de a criança ter memorizado frases inteiras que elas ouviram de seus colegas ou professores. Frases feitas ou "pré-formuladas", como também são chamadas, são muito úteis por permitir às crianças interagir em situações de brincadeiras com falantes de segunda língua. Frases como "I want to play with you" ou "May I have a…" são exemplos de como as crianças compreendem e adquirem significados para se comunicar na segunda língua.Após o período de frases pré-formuladas, se inicia uma linguagem mais elaborada, quando a criança começa a desenvolver um entendimento da sintaxe e da estrutura gramatical da língua (o que não significa que neste estágio a criança conheça as regras de sintaxe ou a nomenclatura gramatical, mas sim que já estabelece um método para usá-las). Através da comparação e da ampliação ou abandono das frases pré-formuladas e, juntamente com o desenvolvimento e a aplicação das regras da sintaxe da língua, as crianças, aprendizes de uma segunda língua, chegam a um controle na produção da nova língua. Elas iniciam, então, seus próprios novos usos da segunda língua e progridem a partir daí, ampliando o vocabulário e as estruturas gramaticais.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Aquisição e/ou Aprendizagem de LE.

A aquisição e/ou aprendizagem de uma segunda língua é um processo complexo constituído de um número significativo de variáveis. Modelos de aprendizagem e pesquisas em aquisição de uma segunda língua (aqui significando também língua estrangeira) têm procurado explicar alguns dos fatores que interagem nesse processo, tais como questões relativas à metodologia e recursos instrucionais, diferenças individuais do aprendiz (como aptidão e estilo cognitivo, por exemplo), o contexto de aprendizagem, características do professor, aspectos relativos à língua a ser aprendida, os processos cognitivos dos aprendizes e sua produção efetiva (Naiman et al 1978; Skehan 1989; Heberle et al 1993).
Embora as descobertas nessa área possam oferecer várias contribuições positivas para o ensino de LE (línguas estrangeiras) no Brasil, muito esforço ainda é necessário para que o professor de línguas do primeiro e segundo graus e educadores em geral possam ter um aprofundamento maior sobre o modo como se adquire, se usa, se compreende e se fala uma língua estrangeira. O conhecimento mais acurado sobre o processo de aquisição poderá dar ao professor melhores condições de avaliar o ensino e oferecer alternativas para sua prática pedagógica